Excerto da representação duma adaptação do Rei Édipo" de Sófocles.
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domingo, 1 de julho de 2018
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Grego – Língua Macária
A
vantagem de estudar uma língua milenar como o grego é conseguirmos alargar o
nosso léxico através de relações etimológicas feitas a partir de pequenas
palavras dessa língua helénica. Além disso, permite um aprofundamento da
história e da cultura gregas. Permite inclusive a compreensão de mitos e a sua
ligação a aspetos do nosso quotidiano.
De
facto, o mundo heleno antigo está tão presente no nosso dia-a-dia que não nos
apercebemos dessa herança. Desde o seu alfabeto – palavra
composta pelas suas duas primeiras letras: α alfa + β beta – até inúmeras palavras
presentes na política, na história, na filosofia, nas ciências e na medicina,
convivemos com ele diariamente. Graças a Hipócrates, considerado o pai da
medicina, temos mais de 75 mil termos ligados ao mundo médico. Alguns exemplos
disso são biópsia, patologia, leucemia, cardiopatia, endoscopia, osteoporose, hepatite,
estomatologia, otorinolaringologista…
A língua de Homero mostra-nos, por exemplo, que a palavra hipopótamo é composta
por duas gregas: ἵππος [hypos (cavalo)] e ποταμός [potamos (rio)], o que nos permite facilmente compreender que este
animal é considerado “um cavalo do rio”; também o segundo termo aparece na palavra
Mesopotâmia [μέσος (no meio) + ποταμός
[rio]; de facto, esse local está entre os rios Tigre e Eufrates. Esta língua do
saber possibilita ainda a compreensão da evolução semântica de certas palavras:
hipócrita [ὑποκριτἠς] era
um ator ou intérprete teatral, isto é, alguém que representava atrás duma
máscara. Hoje empregamos essa palavra quando nos referimos a alguém
dissimulado, pois “representa” com falsidade.
Podemos
ainda olhar para outros étimos gregos, que nos ajudarão a entender outras
palavras das mesmas famílias: glicemia
[γλυκύς (glykýs - doce) + αἷμα (haima - sangue)] explica-nos a glicose, a
hipo ou hiperglicemia, a glicerina…; Panteão
[πᾶν (todos) + θεός (theós – deuses)]
esclarece-nos a Pandora [todos os
dons - δῶρα]; a pandemia [algo que atinge todo o δῆμος - demos – povo]; a pandermite [inflamação que atinge toda
a pele – δέρμα]; e a panóplia [todas as armas - ὅπλα]. Também a πόλις (pólis – cidade) nos auxilia na compreensão de palavras
como acrópole [ἂκρος (ákros – parte alta)
+ πόλις], metrópole [μητός (mêtrós – mãe) + πόλις]; política [πόλις + τέχνη (tékne –
técnica/arte)], Constantinopla (cidade
de Constantino); Nápoles [νέα + πόλις -> nova cidade, construída ao lado de Paleópolis, cidade velha]...
Com a chegada do
inverno, regressa o frio [κρύος (krýos) cf. criopreservação] e ficamos mais suscetíveis a doenças [πάθος (páthos) cf. patologia]; por isso, por vezes, precisamos dum médico [ἰατρός (iatrós) cf. pediatra].
Se nos receitar um medicamento antipirético
[ἀντί + πυρός + τέχνη], vemos
que se trata dum fármaco com uma “técnica contrária ao fogo”, ou seja, é um
remédio contra a febre.
Polinésia,
Macronésia, Micronésia, Melanésia e Indonésia têm um étimo comum que significa
“ilha”. Conseguimos facilmente compreender que as ilhas podem ser muitas,
grandes, pequenas, negras, ou estarem situadas no Índico. Mais próximo de nós
temos também a Macaronésia [μακάριος (makários – feliz) + νῆσια
(nêssia - ilha)]. Daí considerarmos
as ilhas dos Açores, Madeira, Desertas, Canárias e Cabo Verde ilhas abençoadas/afortunadas/felizes.
Publicada por
Luís Reis
à(s)
15:36
Sem comentários:
Etiquetas:
clássico,
etimologia,
grego,
língua,
macaronésia
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Τέχνη et al.
Dizia uma vez um professor
universitário brasileiro “Deem-me um bom aluno de Latim ou Grego e eu farei
dele um grande matemático.” De facto, estas línguas clássicas são apelidadas de
matemáticas das línguas. Se decompusermos, por exemplo, a palavra Matemática,
verificamos que ela é constituída por μαθ [mat], o tema do verbo μανθάνω, [mantáno] que significa
“aprender” e pela palavra τέχνη [téxnê]
que significa “técnica, arte, ciência”, daí ser a matemática a arte de
aprender.
Com efeito, a palavra grega τέχνη [tekne] está
na origem dos sufixos –tica e –ica de imensas palavras portuguesas,
acrescentando-lhes aquele(s) significado(s). Assim, temos também a música, que é a
arte das Musas (μῦσαι [müssai]); a
política como a arte de conduzir/governar a cidade (πόλις [pólis]); a
didática, a arte de ensinar (διδάσκειν [didáskein]); a física,
a arte da natureza (φὐσις [füssis]) das
coisas; a gramática, a arte das palavras (γράμματα [grámata]); a
fonética, arte dos sons (ϕωναἰ [fônái]); a náutica, a arte dos
marinheiros (ναῦται [náutai]); a
ética, a arte dos costumes/moral (ἔθος [éthos]); a
ginástica, a arte de praticar desporto à maneira dos jogos olímpicos da
antiguidade, literalmente, γυμνός [gümnos], ou seja, nu.
Temos também outros termos helénicos que nos auxiliam na
perceção doutros vocábulos lusos. Com ὑπέρ [hüpér] e ὑπό [hüpó], que significam, “em
cima” e “embaixo”, percebemos mais facilmente quando alguém sofre de
hipertensão ou hipotensão, respetivamente; ou até distinguimos melhor o
hiperónimo do hipónimo. De igual modo,
as palavras ὅλος [hólos], que
significa “inteiro, todo” e μέρος [méros], que significa “parte”
nos ajudam a distinguir um holónimo dum merónimo.
Se soubermos, e. g., que ψευδής [pseudês] quer dizer falso; que ποδός [podós] é pé; que ἄκρος [ácros] é o mais alto, teremos um leque
vocabular mais rico… Compreenderemos melhor o que é um pseudónimo, o que é um
podologista e o que é um acrónimo. Também o advérbio εὐ [eu], que significa “bem” ou “com
bondade”, nos explica a eutanásia (boa morte), a eugenia (boa origem) e o
eufemismo (dizer bem (algo desagradável)) … Ou αἵματος [háimatos] ajuda-nos a compreender as palavras relacionadas
com o sangue: Hemácias, hematologia, hematose, anemia (an+hemia), glicemia (sangue doce), leucemia (sangue branco)… Ou ainda ἄλγος [álgos], significa “dor”
distingue-nos os vários tipos de dor: mialgia (nos músculos); lombalgia (na
zona lombar); quiralgia (nas mãos); ou o analgésico, que tira as dores ou a
nostalgia, que é o regresso à dor…
Ἥπατος [hêpatos] é o fígado e, daí a hepatite, que por sua vez tem também a palavra ἴτις [ítis], que significa “inflamação”; então todos os nossos vocábulos terminados em –ite designam uma inflamação em qualquer parte do nosso corpo: apendicite, laringite, otite, rinite, tendinite, …
Como os gregos
antigos já eram um povo de marinheiros, isto é, ναῦται [nautai], termino com as palavras νῆσος [nêssos] ou νῆσια
[nêssia] que significam “ilha”. Qualquer palavra terminada com alguma delas tem
esse significado associado. Assim, temos o Dodecaneso (arquipélago de 12 ilhas
no mar Egeu); o Peloponeso (ilha de Pélops); a macaronésia (ilhas afortunadas do Atlântico - Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde); temos também a
Indonésia, Polinésia, Micronésia, … Aliás, quando ficamos com “amnésia”, ficamos
como que presos numa ilha da qual não conseguimos sair.
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